“Eu estava separada desde dezembro”, diz jovem resgatada após cinco dias em cativeiro

Emiliane Tamara Nunes, de 24 anos, foi encontrada amarrada e acorrentada em uma casa de Águas Lindas de Goiás; suspeito foi preso em flagrante



A jovem Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, resgatada após passar cinco dias mantida em cativeiro em Águas Lindas de Goiás, afirmou que estava separada do ex-companheiro desde dezembro de 2025. Após receber alta hospitalar, ela publicou um vídeo nas redes sociais relatando parte do que viveu e afirmou que pretende buscar justiça pelo crime.

“Uma relação mal terminada. Mal terminada, não. Eu estava separada desde dezembro. Não é brincadeira, gente”, declarou.

Em entrevista à imprensa, Emiliane contou que o suspeito foi seu primeiro amor e que os dois se casaram quando ela tinha 18 anos. Segundo a jovem, com o passar do tempo, ela começou a perceber comportamentos agressivos e passou a sentir medo.

“Eu amei muito ele. Casei com ele com 18 anos, eu achava que ele era meu tudo, que iria me proteger, só que no fim, não era nada disso”, relatou.

A jovem afirmou ainda que diversas atitudes do então companheiro fizeram com que ela perdesse a admiração e passasse a temê-lo.

Desaparecimento e resgate

Emiliane desapareceu na segunda-feira (17), depois de sair de casa, na região da Morada da Serra, para uma consulta. Durante cinco dias, familiares e outras pessoas participaram das buscas pelo paradeiro da jovem.

Ela foi localizada na sexta-feira (21), dentro de uma casa no Setor Jardim América III, em Águas Lindas de Goiás, durante uma operação da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) do Entorno Oeste.

Segundo a Polícia Militar, a jovem estava presa em um quarto, amarrada, algemada e acorrentada a uma cama, além de estar amordaçada. Os policiais também relataram que ela apresentava dificuldades para respirar. O Corpo de Bombeiros foi acionado para auxiliar na retirada das correntes, e a vítima foi encaminhada para atendimento médico.

A investigação aponta que o ex-companheiro, identificado como Ailton Rodrigues de Souza, teria dopado a vítima antes de levá-la para o imóvel. Segundo a Polícia Civil, ele confessou ter utilizado medicamentos antidepressivos para dopá-la. Uma pistola calibre 9 mm também foi apreendida durante a ocorrência.

Suspeito foi preso

O homem foi localizado pelos policiais durante as buscas e, conforme relatos da ocorrência, tentou fugir de uma abordagem. Após ser contido, ele foi preso em flagrante.

A Justiça de Goiás converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva no sábado (22), mantendo o suspeito detido enquanto as investigações prosseguem.

A Polícia Civil também investiga outros crimes que podem estar relacionados ao caso. A vítima relatou agressões físicas e psicológicas e, após receber alta, mostrou nas redes sociais marcas deixadas pelos ferimentos. Ela também afirmou ter sofrido queimaduras provocadas por substâncias ácidas durante o período em que permaneceu presa.

Jovem agradece mobilização e pede justiça

Depois de deixar o hospital, Emiliane agradeceu às pessoas que participaram das buscas e afirmou que a mobilização da família, de moradores e de amigos foi fundamental para que ela fosse encontrada.

A jovem disse que ainda está se recuperando dos ferimentos e que não consegue responder a todas as mensagens recebidas. Ela também afirmou que pretende continuar buscando justiça pelo que sofreu.

“Se não fosse o esforço da minha família, do meu bairro e da minha cidade, eu não estaria aqui para contar história”, declarou.

Emiliane também afirmou que acredita que o ex-companheiro não pretendia deixá-la sair do local. Segundo ela, havia mantimentos armazenados no imóvel em quantidade suficiente para prolongar o período de permanência no cativeiro.

O caso continua sendo investigado pelas autoridades.

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